11º Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (2Rs 2,1.6-14)
Responsório Sl 30(31),20.21.24 (R. 25)
Evangelho (Mt 6,1-6.16-18)
1. Elias subiu ao céu num cavalo de fogo e deixou a Eliseu seu manto, posteriormente Eliseu faz uso do mesmo para dividir as águas. Muitas vezes a transferência de propriedade de um determinado bem significa algo mais que o simples bem material, significa deixar algo da presença, do ser e até mesmo da missão do outro. É a conexão com o passado, é o estabelecimento de uma sucessão de uma tradição, a conexão com tempos remotos... Sem esse tipo de prática de transferência sucessória, como que perdemos essa conexão intertemporal, ficamos ilhados no presente, reféns do cronocentrismo.
Como é bom poder falar que tal peça, por exemplo um relógio, uma arma, pertence a sua família a cinco gerações, que tal bem lhe foi legado por sua mãe por ocasião de seu casamento ou as vésperas da morte. Que recebeu de determinado professor ou mestre certo bem como uma espécie de insígnia e sinal de que você se tornou sucessor do mesmo. Tomamos parte de uma trama histórica tanto maior...
2. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita. Se mandar um PIX não só vai saber a direita, mas o governo, o banco, a receita federal, e sabe-se mais quem uma vez que ainda há um risco de algum hacker ter acesso e vazar as informações.
A privacidade não serve apenas para esconder a nudez de Noé, é também um escudo contra os tiranos e um remédio contra o próprio orgulho. O mundo se encaminha para uma sociedade de vigilância onde não há mais privacidade, onde se dilui a fronteira entre o público e o privado. Isso não é coerente com o Evangelho.
O convido a rezar hoje por todos aqueles que lutam pelo direito a privacidade, não apenas com armas políticas, mas sobretudo com desenvolvendo ferramentas tecnológicas para esse fim. Conforme o mundo envelhece e se aproximam os tempos do Anti-Cristo, tanto mais os cristãos terão necessidade de fazer uso desse tipo de tecnologia.



