24ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (1Cor 12,31-13,13)
Responsório Sl 32(33),2-3.4-5.12 e 22 (R. 12b)
Evangelho (Lc 7,31-35)
São semelhantes aos meninos que estão sentados na praça, e que falam uns para os outros, dizendo: Tocamos flauta, e vós não bailastes; entoamos endechas, e vós não chorastes (Lc 7, 32)
Embora não muito precisa, a tradução usada hoje no saltério nos oferece uma bela oportunidade de reflexão. Diz o salmista: "[...] com arte sustentai a louvação". Na parábola do Evangelho a música volta a aparecer, mas dessa meses os músicos repreendem o povo por não se comportar de acordo: tocamos flauta e não dançastes, tocamos músicas tristes e não chorastes... A arte deve ser empregada no culto divino, deve ''sustentar a louvação'' mas não somente a título de ilustração. Ela é capaz de direcionar os sentimentos. Dado ao pecado original nossos sentimentos estão desordenados, nem sempre o "espontâneo" funciona bem, às vezes eles não são adequados a situação. A arte, subordinada a razão, nos ajuda a dirigi-los.
Há momentos onde a situação pede a tristeza, há outros em que pede a alegria, outros ainda a introspecção. O tempo da Quaresma e da Paixão, por exemplo, são tempos onde devemos nos entristecer por nossos pecados, enquanto a Páscoa e o Natal são tempos de alegria. Se esses sentimentos não surgem de maneira espontânea, devem ser alimentados pela boa arte. Também quem está de luto deve cultivar uma sadia tristeza, enquanto quem está em uma batalha deve cultivar uma certa cólera. Quão inadequado seria um sujeito estar triste em seu casamento e manifestar alegria no velório de algum familiar? E isso não apenas para si e sua própria psicologia, mas também para o escândalo do próximo.
Hoje em dia a razão não mais governa a arte, parece que basta aquela ser bonita, ou às vezes nem isso. É notável o mal gosto no culto litúrgico, cantos inadequados, pinturas feias, uma arquitetura maluca. Não atoa as pessoas estão desnorteadas. Tente desenvolver o bom gosto e usar da boa arte para dirigir seus sentimentos. Temos acesso a internet, obras que antes estavam confinadas em museus e nas mansões dos nobres, obras que seus bisavós nunca sonharam, podem estar aí na tela do seu celular; você pode, por exemplo, mandar imprimir uma bela pintura de Caravaggio colocá-la num quadro em sua sala, pode até mesmo ter uma miniatura em 3D de alguma escultura de Michelangelo. Não desperdice essa oportunidade, elas não estarão disponíveis para sempre...



