21ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Primeira Leitura (2Ts 3,6-10.16-18)
Responsório Sl 127(128),1-2.4-5 (R. 1a)
Evangelho (Mt 23,27-32)
1. Ordena o Apóstolo aos Tessalonicenses que se afastem daqueles irmãos que vivem desordenadamente, não observando a doutrina e as tradições que este lhes ensinou. Vivemos em um país de gente emocionada que tem dificuldades de seguir este tipo de conselho; o brasileirinho parece acreditar que você tem de estar próximo do sujeito não importa quão má e prejudicial seja a conduta da criatura, incluso se viver como um animal, se for um herege e um apóstata, não importa. Se afastar dele seria frieza, será incluso algo reprovável. Essa falsa moral emocional não condiz com o ensinamento bíblico. Claro todos temos falhas, mas uma coisa é o sujeito que está se esforçando por viver os mandamentos cair em certos pecados, outra é o sujeito que faz do pecado um hábito contumaz, que sequer se esforça por viver a doutrina, mas quer ostentar o título de cristão e abusar da boa vontade dos irmãos.
2. Os fariseus edificavam monumentos aos profetas e diziam para si que se vivos fossem naquela época não os teriam matado como fizeram seus pais... Esse tipo de atitude performática me soa extremamente semelhante aquela dos que se escusam pelos supostos erros pretéritos da Igreja: -Desculpe pela inquisição, desculpe pela escravidão, pelas cruzadas, pela igreja de ontem, eles eram meio cabeçudos. Mas eu, eu sou bonzinho e santinho, se estivesse lá naquela época as coisas teriam sido melhores. Essa atitude hipócrita algumas vezes até se transmuta num princípio de má teologia, onde as novidades implementas pelo último concílio são sempre justificadas no maldizer o passado.
O imperador Carlos V viveu combatendo a heresia protestante, tendo inclusive pressionado o Papa para que convocasse o Concílio de Trento. Conta-se que, certa feita, acabou por ver-se diante do túmulo de Lutero. Um companheiro de viagem lhe sugeriu que queimasse os restos do heresiarca, mas o imperador lhe respondeu: -Este já encontrou seu juiz, eu faço guerra aos vivos e não aos mortos.
Uma coisa é estudar o passado para tentar evitar os erros pretéritos, outra bem diferente é tentar crescer em cima dos erros dos mortos mal disfarçando isso sob o véu de falsa humildade. Qualquer que tenha sido os erros dos homens de ontem, já foram julgados e estes já estão pagando por eles, não nos cabe pedir desculpas pelos pecados alheios, mas por nossos próprios pecados.



