Brasil Império. Visconde de Mauá importa da Inglaterra uma nova invenção a vapor, certa espécie de robô para trabalhar no plantio e colheita do café. A máquina eleva a produtividade e trás o fim imediato da escravidão. Depois de um grande júbilo, a massa de ex-escravos cai na miséria e na criminalidade, a sociedade não se preparou para absorvê-los. Tentam voltar para seus antigos senhores, mas estes não mais os querem, estão satisfeitos com as máquinas. Então os ex-escravos iniciam uma guerra ludista contra a tecnologia a vapor.
Eu bem podia ter inventado isso, mas é um conto Vaporpunk de um autor português numa antologia de mesmo nome.
Outra coisa interessante, embora triste, é como o fluxo de acontecimentos vai corrompendo personagens inocentes. O jovem filho do proprietário do cafezal que era um abolicionista, um homem gentil que tratava bondade os escravos de seu pai, uma espécie de herói romântico, acaba por se tornar um sádico torturador após a revolta ludista vitimar seu pai.
A inovação tecnológica vem como A Cor que caiu do Céu de H.P. Lovecraft, trazendo a loucura aquela região.
No final o autor perde o tom, caindo nos lugares comuns da produção panfletária comunista. Os escravos tomam o controle da fazenda e das máquinas, os meios de produção, fazem a nobreza de refém, a Revolução começa a fazer exigências ao Império.
Todo esse cenário de loucura e insanidade trazido pela técnica; revoltas empreendida por seus beneficiários imediatos, antigos benfeitores perplexos com essa onda de violência acabam por se corromper e, por debaixo dos panos, como um demônio que dirige o espetáculo, a Revolução faz uso do caos insuflar uma revolta total - que não é outra coisa senão a revolta gnóstica contra a ordem cósmica criada por Deus - .
Faltou aos personagens do conto a atitude espiritual adequada para lidar com os avanços da técnica. Também falta aos homens do nosso tempo. Pergunto a ti, caro leitor? Serás tu arrastado pelas ondas do tempo, feito de peão no tabuleiro revolucionário? Ou tem a força interior para surfar nessas ondas e transformar isso num tsunami contrarrevolucionário?


Nenhum comentário:
Postar um comentário